Fimac-FGTS

Postado em: 23. Jan, 2012 | Por: | Coluna: Mais Dinheiro

Tá na mão! Mais uma sigla que entra na lista dos brasileiros. Essa sigla se refere à linha de empréstimos para reforma de imóveis publicada no Diário Oficial na última semana com taxas baixíssimas! A única coisa ruim, até agora, é que você não soletra essa sigla, para a tristeza de nosso podcast!

Ao contrário dos sócios do Hotmoney, quem tem vínculo empregatício e contribui para o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) pode contar com uma linha super especial de financiamento para construir, reformar ou ampliar seu imóvel.

Nos últimos dias, o Conselho Curador do FGTS aprovou e foi publicado no Diário Oficial, as normas para a nova linha de financiamento para compra de material de construção com taxa de juros anual de, no máximo, 12%. De fato, é uma política de incentivo do governo, pois em banco algum você conseguirá tomar um empréstimo por uma taxa dessa taxa!

 

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Puxadinho lá de casa! - |foto: getwired - http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1338556 |

Para você ter ideia, alguns bancos chegam a cobrar uma Taxa Efetiva Mensal para o Crédito Pessoal de Pessoas Físicas de 18,43% AO MÊS, de acordo com o ultimo ranking divulgado pelo Banco Central do Brasil. Isso daria, aproximadamente, 661,27% ao ano. É bizarro! Imagine você pegando um empréstimo por 1 ano e pagar mais de 6 vezes o valor que lhe foi emprestado? Não tenho espaço para dar nome aos bois, então consulte você mesmo à tabela no site do Banco Central.

Dito isso, já deu para entender que essa linha de empréstimo para construção e reforma de imóveis vem a calhar, não é mesmo? Considerando uma taxa anual de 12%, você precisaria pegar um empréstimo pelo Fimac-FGTS por 18 anos para igualar à taxa de 661,27% mencionada no parágrafo anterior.

No caso do Fimac isso não é possível. O Governo liberou empréstimos de, no máximo, 10 anos e com limite individual máximo de R$ 20.000,00 por CPF. Lembrando que essa linha de financiamento só é válida para quem contribui para o FGTS, apesar do trabalhador não poder pagar as parcelas do financiamento com o saldo do FGTS. A condição é simplesmente teórica para eleger os possíveis tomadores dessa linha de empréstimo.

Tem lado ruim?

Tem, obviamente tem! Como tudo no Brasil!

Esta linha de financiamento é um estímulo do governo, porém, o empréstimo não será exclusivo de bancos públicos como Banco do Brasil ou Caixa Econômica (banco cujo objetivo é fomentar o mercado habitacional). Cada instituição financeira, de direito público ou privado, poderá optar por oferecer essa linha de empréstimo a seus clientes, ou não.

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É sua chance! - | foto: malkowitch - http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=view&id=1278626 |

Se um banco pode cobrar de seus clientes uma taxa de 18,43% ao mês, porque ele se interessaria em oferecer empréstimos a 12% ao ano? Pois é, o HSBC já disse não e alguns bancos nacionais estão com uma tremenda dúvida! Uma política de incentivo dessas diminui muito o lucro do banco (spread). Se todos os clientes optarem por financiar sua reforma com essa nova linha ao invés de pegar um empréstimo pessoal, o lucro das instituições financeiras cairia muito!

Ê Brasil! Nunca acerta, não é? Apesar de ser uma grande oportunidade para quem tem conta ativa no FGTS e precisa fazer aquele “puxadinho” em casa, um empréstimo assim deveria ser obrigação das instituições financeiras. Como é possível um país ter uma taxa básica de juros de 10,50%, que é o que você recebe por aplicar seu dinheiro e pagar 600% ao ano por um empréstimo.

Sem falar que um estímulo desses faz aumentar a demanda por materiais de construção (as empresas do setor já ficaram animadinhas projetando aumento das vendas na faixa de 10% a 20% nos próximos meses) e sempre que a demanda aumenta sem um aumento da oferta dá merda (merda = inflação)! Sem falar que o governo está gastando com as obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Quanto mais o tempo passa, mais o governo vai precisar gastar para acelerar as obras e a Dilminha sabe muito bem disso! Essa semana está rolando uma reunião geral com os ministros para discutir o assunto.

Lembremos que uma taxa de juros mais alta impede um movimento inflacionário e o COPOM vem diminuindo a taxa básica de juros brasileira, a taxa SELIC. Possivelmente o INCC (Índice Nacional da Construção Civil) irá pressionar a inflação esse ano o que me faz pensar que, em breve, o Banco Central vai começar a se desesperar e voltar a aumentar a taxa SELIC para conter a pavorosa e traumática inflação nacional!

Sobre o autor

André Visnadi André Visnadi é um financista associado ao IBEF-SP que cansou de ver seus colegas de trabalho chatos durante suas passagens por grandes instituições financeiras e resolveu fundar o Portal Hotmoney junto a dois amigos do curso de Administração de Empresas na PUC-SP.

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