Produtos de Renda Fixa: Poupança
Antigo e Novo Cálculo

Postado em: 13. Jul, 2009 | Por: | Coluna: Renda Fixa

O assunto do momento! Quem não ouviu a palavra “Poupança” nas semanas que se passaram? É, muito se comentou sobre isso, alguns a favor outros contra, como qualquer assunto político no Brasil… Teve gente que chegou a comparar a nova remuneração com a política de bloqueio da Poupança do nosso ex-presidente Fernando Collor de Mello!

Mas se acalmem! O Brasil já não é mais o que era antes. Hoje, nós estamos diante de uma mudança gradual na visão política e econômica do Brasil. Ainda temos problemas? Claro! Mas também podemos notar uma força maior de alavancagem do país, economicamente falando.

Resultado dessa nova tendência dos governantes nacionais, foi a decisão da mudança na Poupança. Essas mudanças, de que falaremos depois, aliadas ao fato de que, como todos já devem saber, a Poupança não tem incidência do Imposto de Renda, fazem com que a mesma comece a ficar vantajosa em relação aos fundos de investimento. Esses últimos, sim, têm incidência de IRRF, além da taxa de administração.

O importante aqui é que o Governo não quer extorquir você, trabalhador consciente financeiramente. Muito pelo contrário! Ele quer desestimular o acúmulo de grandes fortunas na Poupança, para equilibrar as opções de investimento de mesmo risco e seguir cortando os juros básicos da economia, o que é completamente favorável para nós!

PoupançaA Poupança foi uma modalidade de investimento criada juntamente com a fundação da Caixa Econômica Federal em 1861, e claro que foi muito modificada desde então. A intenção da criação da Poupança foi facilitar o acesso da comunidade mais pobre, por se tratar de um investimento simples e sem risco, segurado pelo Governo.

A principal função da Poupança é financiar políticas habitacionais do país. O grande problema disso é que o banco precisa deixar o montante aplicado na Poupança “parado” e não “ganha” efetivamente com isso, como é o caso dos fundos de investimentos e outros produtos bancários. Nesses outros produtos, através da intermediação financeira, o bando gera o spread do banco, como foi visto em artigos anteriores.

Essa semana eu vou explicar o cálculo de remuneração da Poupança como é hoje, e na semana que vem explicarei exatamente como ficará o novo cálculo da Poupança e o que tudo isso vai mudar na sua vida.

Como eu disse, a Poupança é um dos produtos mais simples e de menor risco do mercado financeiro nacional.

De menor risco, porque o Governo Federal assegura ao investidor o ressarcimento do seu dinheito, até o valor de R$ 60.000,00 por instituição, caso seu banco quebre. Portanto, se você já ficou preocupado com seu dinheiro na Poupança, pode dormir em paz. Mesmo que seu banco quebre, você recuperaria até R$ 60.000,00 do seu capital. Estratégia interessante é aplicar em instituições diferentes, diversificando sua carteira e diminuindo riscos não-sistêmicos.

A Poupança é remunerada pela TR mais 0,5% ao mês (6,17% ao ano). Ela é capitalizada mensalmente para pessoas físicas e trimestralmente para pessoas jurídicas.

Remuneração da Poupança = (1 + TR/100) x (1 + 0,5%/100)

Para você calcular quanto terá no fim do mês, é muito fácil. Você primeiro precisa saber a data de aniversário da Poupança (quando ela foi aberta). Os juros a que você tem direito pelo seu dinheiro aplicado só serão pagos nessa data de aniversário.

Tome cuidado com os resgates! A remuneração (TR + 0,5%) só será paga sobre o menor saldo do mês, ou seja, o menor saldo entre a data de aniversário do mês anterior até o aniversário deste mês.

Vamos supor que esta tabela abaixo seja o seu extrato da Poupança:

Poupança

Mesmo que seu saldo tenha chegado até o valor de R$ 1.350,00, os juros da Poupança serão calculados comente os R$ 400,00, que foi o menor saldo durante o período.

Portanto os juros que serão creditados em sua conta de Poupança serão:

  1. Juros = 400,00 x 0,5456%
  2. Juros = 400,00 x 0,005456
  3. Juros = 2,18

Como não há qualquer imposto sobre a Poupança, esse valor de juros calculado já é líquido!

Fácil, não? Mas agora você deve estar pensando em como ficará tudo isso depois das novas normas de remuneração da Poupança, que começam a vigorar em janeiro do ano vem, correto?

Então agora que você já sabe o antigo cálculo, fique de olho no site que na semana que vem eu falarei sobre essas novas regras.

Até lá!

Sobre o autor

André Visnadi André Visnadi é um financista associado ao IBEF-SP que cansou de ver seus colegas de trabalho chatos durante suas passagens por grandes instituições financeiras e resolveu fundar o Portal Hotmoney junto a dois amigos do curso de Administração de Empresas na PUC-SP.

2 Comments

[...] artigo de hoje dará continuidade ao da semana passada. Porém hoje falaremos especificamente das mudanças na remuneração e na tributação da [...]

[...] está claro na cabeça de qualquer um que, de fato, a poupança é um investimento quase sem riscos, certo? Mas até que ponto vale a pena, para quem não conhece [...]

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