O melhor presente pro Dia dos Pais
Postado em: 14. Aug, 2011 | Por: André Abou | Coluna: Finanças Pessoais
Nem todos os pais manjam tanto de dinheiro… Às vezes nós, os filhos, é que temos que aconselhá-los. Neste dia dos pais, conheça o melhor presente que seu pai pode ganhar.
Meu pai está aposentado. Tenho muito orgulho dele por ter conseguido chegar a esse momento com tamanha solidez. De garoto humilde no interior do Paraná a diretor de multinacional, passando por escriturário esfomeado (perguntem a seus pais o que era um escriturário). Tudo em mais de trinta anos de trabalho, que lhe renderam as barbas brancas da foto (um pouco de genética também ajudou). Num dado momento de sua vida, ele pensou: “de quanto dinheiro eu preciso para viver?” Pegou uma planilha eletrônica e começou a acompanhar os gastos mensais da família. Viu que esses gastos variavam ao redor de um certo valor e então disse: “como eu faço para garantir que eu receba esse valor todo mês?”
Ele então analisou as possibilidades que tinha. Viu que existia um plano de previdência privado na empresa e calculou quanto esse plano poderia lhe pagar. Viu que não era o bastante (sim, diferentemente do que muitos bancos vendem, é difícil fazer com que um plano de previdência realmente “garanta sua tranquilidade”). Viu que existia uma coisa chamada INSS e que a previdência do governo poderia pagar um outro tanto a ele (muito menos que o que a previdência privada pagaria, mas dinheiro é dinheiro!). E viu quanto faltaria.
Depois de terem vivido o Plano Collor e o Brasil da hiperinflação, meu pai e minha mãe sempre desconfiaram do governo. Então optaram por pensar em imóveis simples em cidades pequenas. Movimento muito sábio à época, porque aproveitou o melhor do boom imobiliário brasileiro. (Talvez hoje o mesmo plano não seja tão vantajoso para nós, os filhos, haja visto que o preço dos imóveis podem estar chegando no pico de seus preços.)
Complementaram sua renda com alugueis e voilà: a conta fechou. Olhando tudo agora, parece mágica, mas 30 anos se passaram no processo. Trinta anos de noites em claro, de saudade e de trabalho duro da minha mãe para manter uma família que, no início, meu pai via mais através de boletos.
Hoje, contudo, ele está feliz. Realizado. Coisa para poucos e que, por isso, ele valoriza muito. Ele comprou o tempo para ter uma vida razoável e curtir a família. E eu aprendi que nem sempre foi assim, que nem todos os pais chegam a uma aposentadoria sem apertos. De fato, com o envelhecimento da população, vai ficar cada vez mais difícil se aposentar. Americanos, por exemplo, veem um horizonte de aposentadoria aos 70, 75 anos de idade! E meu pai, ainda cético quanto ao governo, nunca se utilizou de uma ferramenta recente e que nós, filhos informados da era da internet, podemos ensiná-los a usar.
Os Títulos Públicos
Para os que não sabem, os Títulos Públicos são dívidas do governo com você. Você empresta dinheiro ao governo. Simples assim. E o governo promete te devolver esse dinheiro acrescido de uma taxa de juros. Talvez até duas! E você pode comprar esses títulos no conforto do seu lar através do Tesouro Direto (um sistema do governo que você acessa através do site do seu banco ou da sua corretora).
Como comprar?
Você pode tanto fazer isso no seu CPF, quanto no CPF do seu pai. Os passos são:
- Se você não tem conta em corretora, ligue para seu banco, ou para o banco do seu pai e se informe sobre como abrir uma conta na corretora do banco.
- Cuidado: a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil cobram tarifas muito altas para a compra de Títulos Públicos. A grande maioria dos bancos privados e das corretoras, hoje em dia, cobram valores razoáveis. Irônico, não?
- Abra uma conta na corretora ou peça para seu pai abrir.
- Garanta que a corretora cadastre você ou seu pai no Tesouro Direto.
- Muitos bancos e corretoras tentam te enrolar neste processo, pois os Títulos Públicos concorrem com os produtos financeiros deles. Alguns chegam a dizer que os Títulos Públicos não valem a pena. Insista, brigue e não ouça os conselhos deles, afinal os Fundos de Renda Fixa que os bancos oferecem compram esses mesmos títulos com o seu dinheiro.
- Acesse o site da corretora que você escolheu, ou acesse o site da corretora de seu pai com ele. Procure por “Tesouro Direto” ou “Títulos Públicos” nos menus.
O que comprar?
Existem diversos títulos disponíveis para você comprar, mas vou recomendar apenas um, para simplificar. Compre NTN-B. Esse título rende TR + IPCA, ou seja, é como se você investisse na Poupança (TR) e ainda garantisse que o dinheiro não vá perder valor com a inflação (IPCA). E com uma vantagem: se você puser o dinheiro na Poupança e alguma coisa der errado na economia, o FGC garante apenas R$70.000. Se você puser mais que isso, já era. Já os Títulos Públicos, apesar de não terem garantia de devolução, são uma promessa do governo brasileiro. Pro governo dar um calote, como estão dizendo que a Grécia vai dar, a coisa na economia tem que ficar muito feia. E acredite: se a economia brasileira ficar nessa situação, muitos bancos e muitas Poupanças vão pro buraco antes do governo ir. Ou seja: você e seu pai serão os últimos a se dar mal.
Escolha então um vencimento. O vencimento é a data quando o governo devolverá o dinheiro a seu pai. Escolha uma data relativamente longa, mas não tão longa que ele não viva para aproveitar o dinheiro.
CORREÇÃO: Segundo nosso financista de plantão, André Visnadi, eu dei uma escorregada:
“Na verdade, a NTN-B não rende IPCA + TR, ele rende IPCA+Taxa Pré. A TR rende uns 0,5% ao ano, por isso a poupança rende TR + 0,5% ao mês.
No ano a parte pré da poupança rende 6,17% [(1+ TR)^12] -1 somado a TR o rendimento da poupança chega de 6,5% a 6,7% dependendo da SELIC.
A NTN-B rende IPCA+Cupom (que é uma taxa pré-fixada), essa taxa pré é paga como custo de oportunidade para o investidor, ou seja, “ajusta” a rentabilidade do título à SELIC.”
De qualquer maneira, o raciocínio continua o mesmo. Os Títulos Públicos são o investimento mais seguro que você pode ter na economia brasileira!
Quanto comprar?
Compre o equivalente ao presente que você daria para ele hoje. Compre o quanto seu bolso aguentar. Os Títulos Públicos são vendidos em contratos e cada contrato tem um valor, que pode variar de R$900 a R$4.000. Mas não se assuste: você não precisa comprar um contrato cheio. O mínimo que você precisa comprar são dois décimos de contrato, ou 0,2 contrato. Isso quer dizer que você pode gastar meros R$180!
Detalhe: as NTN-B devolvem a você, ou a seu pai, os juros semestralmente. No vencimento, se você comprou R$1.000, receberá os mesmos R$1.000, porque os juros foram sendo pagos ao longo do tempo. Fique atento. Esses pagamentos podem servir para duas coisas:
- Ajudar seu pai com as contas; ou
- Serem reinvestidos.
Por que comprar?
Porque aposentadoria é coisa séria. Os gastos com saúde têm aumentado e a tendência é aumentarem cada vez mais. Nós estamos vivendo cada vez mais, e trabalhando por menos tempo. Nem todo mundo terá o vigor para trabalhar até os 70 (nem todo mundo quer trabalhar até lá). O INSS tem um déficit que só tende a aumentar. Uma hora o dinheiro lá pode acabar, como acabou nos EUA. Compre mais títulos quando puder.
Compre porque você se importa com seu pai e com você! Compre porque voce quer poder dar estabilidade a seus pais. E estabilidade pros seus pais significa estabilidade pra você. Você vai cuidar deles do mesmo jeito que eles cuidaram de você. Clichê, eu sei. Mas se você não gosta de clichês, tenho um argumento final: esse dinheiro não será jogado fora, pois, sendo um bom filho ou filha, você terá mais a receber na hora da herança!
Brincadeira!!!















![[+16] Podcast After Market – 05.04.2012](http://www.portalhotmoney.com/wp-content/themes/busybee/images/podcast_ultimo.png)


4 Comments
Jose Campana
15. Aug, 2011
Conheço um cara igual a esse…
samantha
17. Aug, 2011
Mandou bem no post!
André Abou
17. Aug, 2011
Muito obrigado!
André Abou
17. Aug, 2011
Feio que doi? Hahahahahah
Deixe uma resposta