Cartão de crédito para o bem ou para o mal
(Parte 1 – Introdução)

Postado em: 22. May, 2009 | Por: | Coluna: Finanças Pessoais

Ter a possibilidade de fazer compras de maneira fácil, rápida e sem “aparentemente” tirar nem um centavo do bolso parece um sonho, porém esse sonho pode se tornar um grande pesadelo. Pensando nisso, decidi iniciar uma série de artigos que falarão sobre o melhor amigo dos consumistas, O Cartão de Crédito.

Cartão de CréditoPrimeiramente vamos a alguns números:

Segundo diretor executivo do Ibope, Marcelo Coutinho, caso se mantenha a tendência, as compras por cartão de crédito representarão 18,3% em 2010. Dos gastos totais da família brasileira, 28% vão para os itens comercializados nos supermercados, sendo que, em 2008, 35,3% dessas compras foram pagas via cartão de crédito (1). Em resumo, cada vez mais o “dinheiro de plástico” passa a substituir o papel-moeda.

O cartão de crédito surgiu na década de 1920 nos Estados Unidos. Inicialmente, os cartões de crédito eram dados somente aos clientes mais fiéis. O dono do estabelecimento fazia essa avaliação aprovando os clientes que pagavam suas compras em dia. Algo como abrirmos uma “conta” no estabelecimento próximo de casa. Hoje, esse mecanismo de avaliação é muito mais complexo, levando em consideração diversos fatores de risco como: possíveis restritivos, salário, o endividamento existente, histórico de pagamentos, segmento (exclusivo, especial, personalite, private etc) entre outros.

Foi na década de 1950, quando Frank MacNamara estava com executivos financeiros em um restaurante na cidade de Nova York e percebeu que tinha esquecido seu dinheiro e seu talão de cheques para pagar a conta, que surgiu a idéia de criar um cartão que contivesse o nome do dono e que possibilitasse seu dono a pagar a conta. Nesse momento é que começamos a ver o modelo conhecido hoje tomar forma.

Agora que já conhecemos sua história, vamos entender os aspectos psicológicos e práticos que esse novo acessório provocou após sua criação. Principalmente porque, nos últimos anos, houve uma grande expansão e facilidade para seu acesso.

Esse fenômeno traz consigo um uma grande responsabilidade, já que é extremamente fácil perder o controle do cartão e quando isso acontece se torna cada vez mais difícil se recobrar. Para entender o porquê é tão fácil perder o controle, é preciso conhecer o mecanismo psicológico que age no momento da compra. Ao vermos nosso objeto de desejo na vitrine, mentalmente avaliamos a possibilidade de comprá-lo de forma inconsciente. Nesse processo de avaliação, é levada em consideração uma medida muito subjetiva, que é, basicamente, se já gastamos demais neste mês ou se ainda podemos gastar. Para responder a essa questão, nossa mente faz uma pequena retrospectiva avaliando o número de vezes que fizemos compras e o quanto pagamos. Se tivermos feito muitas compras ou tivermos pago valores altos, continuamos a andar e esquecemos a vitrine. Contudo, infelizmente, quando há muitas compras com o cartão de crédito, esse mecanismo falha e somos levados a acreditar que gastamos menos do que na realidade gastamos.

Outro aspecto psicológico afetado é a percepção de tempo x dívidas. Já que, muitas vezes, as despesas não são pagas dentro do mesmo mês, não sentimos pesar algum em fazer essa compra. Esse comportamento normalmente vem junto da frase “estou sem dinheiro, mas vou pagar no cartão”. Lembre-se: um dia a fatura chega.

O cartão de crédito, contudo, nem sempre é um vilão, pois ele pode ser usado como um instrumento para dar liquidez financeira. Digamos que você possua investimentos em seu nome, porém quase nenhum dinheiro em conta corrente. E então ocorre uma despesa não planejada como, por exemplo, um cano entupido. Nesse caso, você poderia utilizar o cartão, desde que a taxa cobrada pelo banco, caso você utilizasse os juros do cartão, fosse menor que o rendimento do seu investimento. Nesse exemplo, você evitaria mexer no dinheiro investido e ainda ganharia a diferença entre a taxa cobrada e o valor do investimento, ainda por cima pagando sua dívida.

Na segunda parte deste artigo, explicaremos como calcular se é vantajoso ou não utilizar o cartão, estratégias para sair do pagamento mínimo do cartão e como reduzir essa despesa. Ou, como diria nosso Homem do Fiat 147: como se livrar desse passivo.

A escolha sobre qual caminho seguir é somente sua, porém podemos ajudar mostrando as armadilhas e os benefícios de cada caminho. Não se esqueça de deixar um comentário e, caso surja alguma dúvida ou crítica, basta encaminhar um e-mail para hotmoney@portalhotmoney.com.

Até a próxima.

(1) – dados divulgados pela Abras – Associação Brasileira de Supermercados.

Sobre o autor

Danilo Reis Danilo Reis é empresário e um dos fundadores do Sonar.mk (Inteligência em Marketing) e do PortalHotmoney (Finanças com linguagem simples e bem humorada).

4 Comments

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[...] informações a respeito das novas regras, que entrarão em vigor neste ano, para o mercado de cartão de crédito. Essas regras visam a melhorar o sistema de cartões de crédito no Brasil, porém, como nos [...]

Cida Barbosa

19. Jun, 2010

Danilo,

muito bom artigo.Linguagem simples e clara!

Para mim, o cartão funciona como um instrumento de consumo bem confiável e eficiente;diferente do cheque por exemplo, onde você pode de uma hora para outra se ver com uma restrição na conta porque não acompanhou o canhoto do talão (pra mim não serve,rs!).

O cartão, por ter uma alta taxa, nos disciplina a dosar os gastos. Como você bem lembrou, não deve ser usado para compras corriqueiras ou de impulso e sim para os momentos emergenciais.

Vou continuar acompanhado as dicas…adorei!

Letícia

29. Jul, 2010

Muito bom! Apesar de eu nem saber como funciona o cartão de crédito porque nunca tive um. Meu pai me ensinou a somente gastar o que tem, naquilo que precisa (e qualquer coisa era pra pedir pra ele hahaha). Mas vejo muita gente se perdendo em contas desnecessárias por causa do cartão, por isso curti a iniciativa ;) Bjos hotmoneys

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