Kaká pode jogar para o Banco Central da Europa
Postado em: 23. Aug, 2011 | Por: André Abou | Coluna: Esporte
Que o futebol anda de mãos dadas com o dinheiro, pouca gente duvida. Mas qual a relação entre o esporte e a crise na Europa? A resposta pode estar justamente nas negociações entre Kaká, Arsenal e Corinthians.
No domingo, 21, uma notícia circulou entre o meio esportivo: Kaká poderia estar em negociação para ir para o Arsenal, ou até mesmo para o digníssimo Corinthians do nosso amigo André Visnadi. A negociação foi anunciada pelo treinador do time inglês, o francês Arsene Wenger, à revista inglesa People. Segundo o treinador, o Arsenal estaria interessado em ter o meia brasileiro nas terras da rainha por meio de um empréstimo. O problema é que tem mais gente de olho em Kaká. Supostamente o Milan e o Corinthians também estariam na jogada. Porém, um trecho da reportagem do UOL sobre o assunto nos leva a uma outra análise:
(…) “o problema para a saída de Kaká do clube espanhol para o Arsenal seria o interesse de sua atual equipe apenas na venda do jogador.”
A complicação da parada toda é que Kaká não é apenas um dos galáticos. Ele é uma garantia. Sabe quando você precisa de dinheiro, vai ao banco e pede um empréstimo? Geralmente o banco pede que você ofereça algo como garantia para esse empréstimo. Enquanto nós, reles mortais, oferecemos nossos combalidos carrinhos 1.0, o Real Madrid oferece Kaká.
Em 2009, o clube comprou o jogador pelo equivalente a astronômicos US$94 milhões (ou R$150 milhões)! Mas o dinheiro não veio dos cofres do Real… E é aí que entra a crise.
Bancos europeus sem dinheiro
O Bankia, um grupo de bancos espanhois, assim como muitos outros bancos europeus, está sem dinheiro. E o banco, assim como todos nós, pega dinheiro emprestado quando precisa. Mas bancos não pegam dinheiro com pessoas, eles pegam dinheiro com o pai dos bancos: o Banco Central. Neste caso, o BCE (Banco Central Europeu). E, para pedir um empréstimo ao BCE, o Bankia pretende oferecer como garantia um dos empréstimos que ele próprio fizera: o empréstimo ao Real Madrid para comprar Kaká.
O clube, ao trazer o jogador brasileiro, pediu um empréstimo ao Bankia e ofereceu como garantia o próprio passe do jogador. Só que jogadores de futebol são um ativo pouco líquido, ou seja, é difícil transformar jogadores em dinheiro, pois as vendas de jogadores são processos demorados. E, como o Bankia precisa de dinheiro, ele vai passar para o BCE as garantias que ele próprio recebera.
Isso quer dizer que Kaká de fato não tem muitas chances de sair do Real Madrid emprestado. O Bankia, por precisar de dinheiro, preferiria que o clube vendesse o jogador e devolvesse o empréstimo. Por outro lado, o Bankia está jogando com o plantel que tem e vai tentar conseguir dinheiro com o BCE “repassando” o Kaká.
Ou seja: a não ser que o Corinthians ou o Arsenal paguem pelo jogador, o caminho mais claro para o futuro de Kaká é jogar para o Banco Central Europeu.

















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