Futebol: Queremos mais
Postado em: 13. Jun, 2010 | Por: Kadu Schad | Coluna: Esporte
Em época de Copa, é hora de se questionar se o futebol do Brasil é mesmo o melhor do mundo! Heresia? Não! É o pensamento econômico aplicado ao futebol!

Começou mais uma Copa do Mundo no dia 11 de junho, na África do Sul. Craques de todos os cantos do planeta brilham na competição. Porém apenas 6 jogadores convocados para a competição atuam no Campeonato Brasileiro: 3 brasileiros (Kléberson, Robinho e Gilberto), 1 paraguaio (Cáceres), 1 uruguaio (Loco Abreu) e 1 chileno (Fierro). Esse número modesto é uma contradição, tendo em vista que a Seleção Brasileira é a maior vencedora de Copas.

Fonte: Divulgação
Comparando-se esses números com os de outros países, a estatística é desanimadora. O Campeonato Israelense também teve 6 jogadores convocados, todos estrangeiros, já que a seleção local não se classificou. Do mesmo modo, o Campeonato Belga tem 7 jogadores na Copa do Mundo. O futebol inglês foi o que mais cedeu jogadores: 114 no total, nem todos atuando na 1ª divisão, a Premier League.
Por que isso acontece? Um país com o talento e a crescente força econômica como o Brasil não poderia ter um campeonato mais forte? O problema é a falta de um modelo de gestão do futebol como um todo, que considere a realidade dos nossos clubes e maximize o potencial econômico do esporte.
De acordo com a consultoria Crowe Horvath RCS, os 20 clubes de maior faturamento no Brasil, em 2009, tiveram uma receita total de 2,1 bilhões de reais. Em comparação, o faturamento dos clubes da Premier League inglesa na temporada 08-09 foi de 2,39 bilhões… de euros! O faturamento dos clubes da Bundesliga alemã, nessa mesma temporada, foi de 2 bilhões de euros.
Segundo esse estudo, os únicos clubes que passaram dos 150 milhões de reais de receita em 2009 foram Corinthians, Internacional e São Paulo, nesta ordem. As maiores dívidas pertencem aos grandes do Rio de Janeiro e ao Atlético Mineiro, enquanto os únicos praticamente livres de débitos são o São Caetano e o Atlético Paranaense. Sempre deve se levar em consideração que ainda existe pouca transparência no futebol brasileiro, e possivelmente esses números sejam diferentes na realidade.
Temos alguns casos de sucesso, como os programas de sócios de Internacional e Grêmio, as bilheterias do Corinthians na Copa Libertadores 2010 e a engenharia financeira do Santos para contratar Robinho, que incluiu a exploração da imagem do jogador:
Entretanto estes são casos isolados, que não demonstram uma evolução da administração do futebol no país. Não existe uma valorização dos campeonatos nacionais para que todos os clubes faturem e tenham condições de manter uma boa estrutura esportiva, segurar os jogadores valorizados e ainda importar atletas de qualidade.
Nas próximas colunas, falarei dos modelos de gestão dos 4 principais campeonatos europeus: Inglês, Italiano, Espanhol e Alemão. Esses campeonatos possuem exemplos bons e ruins que podem ensinar muito ao futebol brasileiro.
Grande abraço e até lá!
Este texto foi escrito por nosso amigo Kadu Schad, amante de finanças e de futebol, não nessa ordem. E, como ele mesmo disse, temos muito mais por vir!
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3 Comments
Gustavo Braghetti
25. Jun, 2010
Muito bom o texto. Parabens para o autor e estou ansioso para ver os modelos de gestao de alguns campeonatos europeus, apesar de conhecer e ter uma noçao dos mesmos. Abraços!
Portuga
25. Jun, 2010
O loko hein menino Carlos, ótimo texto. Continue assim pq estou deveras curioso de como é a gestão dos clubes lá fora.
Abraço
Kadu Schad
27. Jun, 2010
Valeu pessoal. Espero corresponder às expectativas nos próximo textos. Não deixem de visitar o site, abraços!
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